sábado, 8 de março de 2014

A mulher na Cultura Védica

A Mulher na Cultura Védica



Aproveitando que hoje é o Dia Internacional da Mulher, 8 de março, vamos tratar desse tema.

Com frequencia nos dizem que a mulher na Índia é inferiorizada, que não se dá o mesmo valor a ela em comparação ao homem, se fala de machismo e etc.

Para compreender essas questões precisamos compreender algumas coisas:
1. Estamos em Kali Yuga, a era de ferro - dos desentendimentos, briga e hipocrisia: isso significa que a veracidade, limpeza, austeridade, misericórdia estão em baixa nesse momento e que existe muita confusão. Por exemplo, há 5000 anos começou Kali Yuga, antes disso as pessoas tinham virtudes que nós em relação ao que não é virtuoso (por virtude compreende-se caráter, altruísmo, ter o desejo sincero de servir aos demais). Abaixo comentaremos como começou Kali Yuga, mas adiantamos que foi quando a primeira mulher foi maltratada.

2. A Índia atual tem se modificado bastante ao longo do tempo: é difícil aceitar que todos pratiquem a Cultura Védica (baseada nos Vedas, uma escritura sagrada antiquíssima) já que muitos indianos não são vegetarianos ou se dedicam a atividades que não tem como essência o desenvolvimento espiritual. A Índia recebeu influência de muitas outras culturas, bem como as influenciou também, e percebe-se hoje uma mistura de muitas filosofias aliado com o a consciência que reina em todas as partes: da exploração, desfrute e materialismo.

Tendo abordado esses temas, seguimos adiante para compreendermos a mulher na cultura védica.

A mulher é vista como Mãe pois só ela pode ter um filho. Imaginem que os cientistas supostamente tem muita tecnologia mas até hoje não podem criar a vida (mesmo os bebês de proveta e os clones foram criados a partir da energia feminina e masculina unidas de formas diferentes da convencional, mas essencialmente é o mesmo). Portanto, o poder de gerar uma vida é místico e muito sagrado - em todas as culturas se vê assim! A mulher dá leite para seu bebê, e tomando isso ele fica protegido de muitas doenças, ela se preocupa pelos mínimos detalhes, tem paciência quando a criança chora. Todos nós tivemos mãe...

De outro ponto de vista, a mulher é quem mantêm a religião e os princípios religiosos. Um exemplo bem simples, hoje na Índia a maioria dos homens usam calça, camisa, gravata (roupas ocidentais) enquanto que as mulheres continuam mantendo o sari (mesmo trabalhando fora em empresas e lojas). Quem já foi a Índia deve ter observado isso. Quem nunca viu as cholitas, as senhoras peruanas/bolivianas que caminham em grupo pelas ruas das cidades com as lhamas e crianças amarradas nas costas com belos panos coloridos? Ou as mulheres indígenas que fazem artesanatos e mantêm seus filhos, as vezes por São Paulo nos encontramos com elas. Ou seja, a mulher naturalmente mantém mais as raízes culturais que os homens.

* Obs: Somos almas espirituais e essencialmente somos o mesmo, mas aceitamos um corpo material de acordo com nossas atividades (karma). Isso significa que os corpos não são iguais, é fato que a mulher e homem tem naturezas distintas, o que é favorável porque podem se complementar no serviço a Deus. Não é correto que um seja explorado pelo outro por ser mais forte ou mais bela, e sim que juntos se apoiem e usem seu potencial para o benefício de todos, para satisfazerem a Deus.

É por isso que na Cultura Védica diz-se que a mulher quem mantêm a religião: porque ela cuida dos filhos e do esposo, faz as cerimonias de adoração ao sol, ao guru, auxiliando seus pais, esposo ou irmão, prepara os alimentos que serão oferecidos a Krishna. Dentro da Filosofia Guadiya Vaisnava (a qual seguimos e que no ocidente é conhecido como Hare Krishna) existem grandes devotas que sempre são lembradas: Jahnavi Mata (a esposa do sr. Nityananda, que foi a líder espiritual mais importante naquele momento, ela era Gurina - o feminino de Guru, mestre espiritual), Gangamata Goswamini, Draupadi, Rainha Kunti...

Contam que Kali Yuga, a era de ferro, começou quando a primeira mulher foi maltratada. Ela se chamava Draupadi, era a esposa dos Pandavas e um homem pegou-a pelos cabelos, a arrastão pelo salão diante de seus esposos e dos sábios, conselheiros, rei e tentou a força tirar o sari (roupa tradicional feminina, um tecido de 5m enrolado ao corpo) dela. Ela olhou para todos mas eles não podiam fazer nada nessa situação (para compreender melhor, esse passatempo aparece no clássico Mahabharata) então ela fechou seus olhos, juntou as mãos e começou a orar a Govinda (Krishna) para que a protegesse da infâmia, que cuidasse dela, que lhe desse refúgio. Nesse momento, quando pela primeira vez uma mulher foi maltratada por um homem, teve início Kali Yuga. O que aconteceu depois todos nós sabemos... Tudo foi piorando e ficará pior. Por isso que o que pode nos salvar dessa consciência baixa de Kali Yuga é HARINAMA SANKIRTANA: cantar os nomes de Deus, como no Maha Mantra, para nos livrarmos da influência de Kali e recuperarmos nossa consciência purificada e limpa, aquela da alma e não do corpo que arde de desejos.

Todos nós temos 7 mães:

(1) adau mata: a primeira mãe, de cujo corpo nascemos.
(2) guru-patni: a esposa do mestre espiritual.
(3) brahmani: a esposa de um brahmana.
(4) raja-patnika: a esposa do rei.
(5) dhenu: a vaca, ela nos dá o leite.
(6) dhatri: a enfermeira.
(7) prthvi: a terra.

Explicação de Srila Prabhupada:
“Você recebe todas as suas necessidades da mãe Terra. Você consegue comida, água para beber, abrigo, bambu.. Essas coisas. Algodão. Roti (pão) está disponível, kapara, e makan. E de onde vem tudo isso? Sarva-kama-dugha mahi. Da Terra. Por que então fábricas? A mãe Terra está lhe dando tudo. Por isso ela se chama Mãe. E são sete mães.. Uma das mães é esta Terra. Dhenu dhatri tatha prthvi sapteti matari smrtah. Dhenu significa vaca, e dhatri significa enfermeira. Tatha prthvi. Prthvi significa esta Terra. Então, eles estão cuidando da Terra, os nacionalistas, e matando a outra mãe, dhenu [a vaca]. Uma civilização de patifes.

Se você está cuidando de uma mãe, você deve cuidar de todas as mães. Porém não; eles estão loucos atrás da Terra, enquanto matam a outra mãe, dhenu. Isso é uma patifaria… dar todo o conforto para um irmão humano, e ao mesmo tempo enviando os nossos irmãos animais para o matadouro. Isso é comunismo? Se você é um comunista, sendo igual para com todos os seus irmãos, por que então você deve discriminar? O nosso comunismo é que mesmo que exista uma serpente dentro de sua casa, você deve ver que ela não esteja morrendo de fome. Este é o comunismo espiritual. Ninguém gosta de serpentes. Porém sastra diz: ‘Mesmo se uma serpente está dentro de sua casa, ela não deve estar morrendo de fome.’ Isso sim é o comunismo, perfeito.”
—Srila Prabhupada, Caminhada em Mayapur, 5 de Março 1976

Muito interessante, não? O pensamento é simples:
1. A mãe dá leite e por isso ela é a mãe
2. a vaca dá leite
3. quando acaba o leite da mãe o filho toma o leite da vaca
4. a vaca é a segunda mãe
Por isso diz-se que a vaca é sagrada, ela é nossa mãe também. Em nenhuma cultura se permite matar a mãe. Pense nisso :)

Seguindo com o tema da mulher na cultura védica, para finalizar, a mulher tem muito potencial por possuir o poder místico de gerar um filho, por ser a protetora da religião e etc. Mas também sabemos que a mulher descontrolada (seja por hormônios, tpm, ira, tristeza) é um perigo! Escutamos até que se uma mulher comete um crime em seu período de tpm, e fica comprovado alterações de humor, em alguns países a pena é diminuida. Ou seja, sabe-se que é perigoso se encontrar com uma mulher descontrolada! É só ver a deusa Kali com sua língua pra fora, realmente dá medo. Ou seja, a mulher tem realmente muita energia, potencial e qualidades que devem ser direcionadas ao espiritual, ao que beneficia a todos - do contrário gera muita desarmonia na sociedade (é só observar as fofocas, intrigas que surgem entre casais, crimes passionais, gravidez precoce). Por isso que na cultura védica a mulher serve a seus pais quando é pequena e quando vai crescendo surgem o esposo, irmão, o mestre espiritual com todo afeto e rendição - cumprindo com perfeição seu dharma que é o de cuidar com afeto, direcionando bem sua energia.

A mulher na cultura védica é vista como central, se fala muito sobre ela nos vedas (seja como ela pode distrair o sábio ou como serve com perfeição seu esposo ou pais, tem muitas histórias que contam). Se hoje em dia ela não é bem tratada na Índia (e também em outros países), não se pode levianamente dizer que "cultura indiana é machista", deve-se observar que isso é a consciência de kali yuga que está presente em todo o planeta nesse momento. Diz-se que quando algo atinge seu ápice se reverte (o máximo da felicidade se transforma em tristeza, quem nunca viveu isso?). Então, se a Índia é o berço da cultura védica que tinha como base a harmonia e a satisfação de Deus, com o tempo isso foi se enfraquecendo ao mesmo tempo em que a cultura indiana se expandiu por todo o globo (é forte a influência hindu na Tailândia, tem muitos indianos nos estados unidos e europa, todos conhecem os Hare Krishna). 

Glorificamos a todas as mulheres que diariamente lutam por manterem suas tradições, que equilibram o planeta com carinho, proteção e afeto!
Srimati Radharani, asraya vigraha, o refúgio verdadeiro ki Jay!
Jahnavi Mata ki Jay!
Sri Visnu Priya Devi ki Jay!
Gangamata Goswamini ki Jay!
Sri Draupadi e Sri Kunti Devi ki Jay!

Veja fotos de mulheres que estão se empenhando por harmonizar:


Vandana Shiva que viaja o mundo todo promovendo as sementes orgânicas,
revelando o jogo sujo por trás dos transgênicos.
Ati Guigua, ativista indígena da Serra Nevada de Colômbia, que está se
candidatando ao Senado movida pelo desejo de proteger a Mãe Terra.
Para saber mais: facebook.com/ati.quigua


Ganga Ma.
Na Índia os rios são personalidades femininas e o
mar é masculino. A mãe Ganges gentilmente refresca
do calor e também das misérias materias, purifica e dá refúgio.

Vrinda Devi, a guardiã da Devoção genuína e pura a Sri Krishna!


Srimati Radharani, a potência feminina de Krishna. Ela é o refúgio
original pois sabe perfeitamente como agradar a Deus.



Visnu Priya Devi, esposa do Sri Caitanya
Mahaprabhu, é a própria Mãe Terra

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