terça-feira, 4 de junho de 2013

Hare Krishna é Hinduísmo? Hinduísmo é politeísta?



 Hoje vamos solucionar mais um mistério...
Primeiro vamos analisar a palavra “Hinduísmo”... “ismo” é um sufixo de origem grega que exprime a ideia de fenômeno linguístico, sistema político, religião, doença, esporte, ideologia etc. E “Hindu” se refere a algo da Índia. Portanto, hinduísmo é qualquer ideologia, esporte, fenômeno lingüístico que vem da Índia. Entenderam? Não!! Realmente não explica muito...

Hinduísmo é um termo vago que surgiu no século XIX, foi cunhados pelos europeus (especialmente britanicos) que invadiram e fizeram da Índia uma colônia de exploração. E como dizem “separar para dominar” (era justamente essa a mentalidade dos colonizadores), separaram as pessoas de acordo com suas crenças (e será que é justamente isso o que torna uma pessoa ser quem ela é?). Os britânicos eram cristãos, outra opção era ser muçulmano (que os europeus já conheciam da época das cruzadas) e o que sobrava era hindu. O que não era cristão ou do Islã era hindu.
Isso significa que no hinduísmo existem filosofias vegetarianas (como os vaisnavas, hare krishna) e outros que não são (os adoradores de Kali inclusive fazem sacrifícios humanos e comem carne), uns adoram a somente uma manifestação de Deus (como os vaisnavas que adoram a Visnu Krsna) e outros que adoram muitas outros semideuses (os panco pasanas, os mayadas). Então como harmonizar isso? “Ah, é hinduísmo e é a religião mais complexa do mundo!”
Hinduísmo não existe, é uma criação européia que surgiu diante da pluralidade da manifestação religiosa oriental. Algo interessante de ressaltar é que não existe histórico de conflito religioso importante na Índia até a chegada dos muçulmanos, a partir do século VII. Tradicionalmente, os transcendentalistas são apreciativos em relação a outras práticas porque reconhecem que existe somente um fim, porém muitos caminhos.
Hinduísmo não é politeísta primeiro porque não representa uma unidade religiosa e sim a exclusão do cristão e islâmico e segundo porque todos os semideuses são manifestações do Senhor Supremo, que é Visnu.
Existem 33 milhoes de semideuses e cada um deles controla um aspecto da natureza e criação cósmica. São como ministros do Rei, tem sua liberdade para atuar no entanto sempre atuam em nome do Rei. Da mesma forma que um funcionário sempre vai achar que seu chefe é o melhor (pensando num mundo regido pelo amor, um filho pequeno sempre acha que seu pai é o melhor) portanto, um devo de Brahma, ou Shiva considera que seu amo é o supremo. Porém Brahma recitou o Brahma Samhita e confirmou que Visnu (Govinda) é o senhor supremo:
Govinda adi purusam tam aham bhajami
Govinda eu te adoro, ó senhor supremo
E Shiva também confirmou isso em uma conversa com sua esposa:
aradhananam sarvesam
visnor aradhanam param
tasmat parataram devi
tadiyanam samarcanam
A melhor forma de adoração é adorar a Visnu, e adorar ao devoto de Visnu (Vaisnava) é superior a adoração a Visnu

Portanto, os semideuses são ministros, servem a Visnu. O Hinduísmo não é politeísta, mas é complexo!
Então, resumindo, o Hinduísmo é uma criação britânica e não conforma uma religião e sim diversos caminhos para chegar ao mesmo fim, o encontro com Deus.
Ficou mais claro?
Para qualquer dúvida escrevam para: vrindabr@ig.com.br

2 comentários:

  1. Muitos devotos do mov. Hare Krishna não aceitam que nos classifiquemos como hindus, e apontam a seguinte afirmação de Srila Prabhupada, que se encontra na introdução do Śrī Īśopaniṣad:

    “You may call the Vedas Hindu, but "Hindu" is a foreign name. We are not Hindus. Our real identification is varṇāśrama. Varṇāśrama denotes the followers of the Vedas, those who accept the human society in eight divisions of varṇa and āśrama. There are four divisions of society and four divisions of spiritual life. This is called varṇāśrama. It is stated in the Bhagavad-gītā (4.13)…”.

    “Você pode chamar os Vedas de Hindu, mas "Hindu" é um nome estrangeiro. Nós não somos hindus. Nossa identificação real é varṇāśrama. Varṇāśrama denota os seguidores do Vedas, aqueles que aceitam a sociedade humana em oito divisões de Varna e Asrama. Há quatro divisões da sociedade e quatro divisões da vida espiritual. Isto é chamado varṇāśrama. Afirma-se isso no Bhagavad-gita (4.13)...”.

    A explicação que Prabhupada da aqui para o termo “varnasrama” é a mesma que encontramos nos meios acadêmicos, porém para o termo “hindu”. Ou seja, aquilo que o estrangeiro (o não indiano) classificou como hindu, os vaishnavas classificam como sendo “varnasrama”. Na Índia, não somente os membros vaishnavas gaudiyas aceitam e seguem os Vedas, bem como as divisões varna e ashrama, etc., mas ouras religiões também aceitam. Assim, o ‘estrangeiro’ (o não indiano), como ressaltou Prabhupada, juntou todas as religiões que tem essa mesma base de crenças e às nomeou de “hinduísmo”. Isso se tornou uma convenção internacional no meio acadêmico.
    Assim, não é errado, aqui no ocidente, sermos incluídos como pertencentes ao hinduísmo, ou mesmo nos identificarmos dessa forma.
    Entre nós, devotos do mov. Hare Krishna, nunca usamos essa classificação, porém, quando vamos nos apresentar ao público em geral podemos utiliza-la.
    Social e politicamente somos classificados como hindus, porém, teologicamente, somos vaishnavas.
    Como o hinduísmo é o terceiro maior grupo religioso do mundo, isso nos concede certa respeitabilidade, prestígio e destaque nos meios religiosos, políticos e acadêmicos, em todo o mundo, que em muitos casos é interessante aproveitarmos para melhor executarmos nossa missão. Como Prabhupada nos ensinou, “utilidade é o princípio”, temos que nos lembrar sempre desse ponto para facilitar a pregação da Consciência de Krishna.

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